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domingo, 10 de outubro de 2010

Brasil vira mercado emergente de iates de luxo

Valery Hache/22.09.2010/AFPA costa brasileira, com sua extensão de 7.300 km, nunca atraiu tanta atenção dos gringos como agora. E não se trata de turismo. Eles estão de olho no mercado náutico do país - um segmento que tem apresentado taxas de crescimento de 10% ao ano, com um potencial de expansão que fez os fabricantes de iates desejarem se instalar por aqui.

O que aconteceu com a indústria automobilística na década de 80 está se repetindo agora na indústria náutica, avaliam empresários do setor.

O interesse pelo Brasil tem explicação e vai muito além da extensão do litoral. Com a crise financeira mundial, os maiores mercados dos fabricantes de barcos - Europa e Estados Unidos - despencaram em vendas.

Em contrapartida, o mercado brasileiro continua em alta, com uma classe média que não para de receber novos integrantes, ávidos por um consumo mais refinado, que inclui iates e jet-skis.

No ano passado, a venda de barcos no mercado nacional movimentou R$ 850 milhões (US$ 510 milhões) - um crescimento de 20% em relação a 2006. No mesmo período, os importados dispararam: de R$ 21,6 milhões (US$ 13 milhões) para R$ 133,6 milhões (US$ 80 milhões).

O que anima os empresários é que, além de estar aquecido, o mercado brasileiro tem para onde crescer. Com uma frota de 650 mil barcos, o Brasil tem apenas 1,6% da população no grupo dos proprietários de embarcações de luxo. Nos Estados Unidos, onde a venda ultrapassa mais de 1 milhão de unidades por ano, o porcentual é de 12,5%.

Luca Morando, CEO no Brasil da italiana Azimut, afirma que “o momento é perfeito". A empresa já anunciou investimentos de R$ 200 milhões no Brasil nos próximos cinco anos. Também com sede na Itália, o estaleiro Sessa negocia desde o fim de 2009 uma parceria com fabricantes brasileiros.

O presidente da Acobar (Associação Brasileira dos Construtores de Barcos) e dono do estaleiro escolhido pela Sessa para conduzir a produção no Brasil, Eduardo Colunna, diz que "eles [as empresa do exterior] não querem ficar de fora desse mercado”. 



Representantes da inglesa Fairline e da americana SeaRay também têm visitado com frequência fábricas paulistas e catarinenses, segundo executivos do setor. Marco Antônio do Carmo, diretor executivo da Yatch Brasil, prevê a união de empresas do setor em 2011.

-  Todo esse movimento deve culminar, a partir do ano que vem, numa série de fusões e aquisições nunca vista nesse segmento.

Algumas dessas parcerias devem ganhar contornos mais concretos a partir desta semana, num evento que vai reunir cerca de 150 empresas nacionais e estrangeiras na capital paulista.

A 13ª edição da São Paulo Boat Show, que espera movimentar R$ 190 milhões entre quarta-feira (13) e domingo (17), será um termômetro das negociações que cercam a indústria náutica nacional. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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