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sábado, 9 de outubro de 2010

Morro do Turano tem uma semana de paz após a chegada da Unidade Pacificadora


Instalada desde o dia 30 de setembro, a UPP (Unidades Pacificadora) da Polícia Militar do Rio de Janeiro no complexo do morro do Turano, no Rio Comprido, completa uma semana de inauguração e agrada a maioria dos moradores, trabalhadores e comerciantes nas redondezas da favela. De acordo com o capitão Almir Beltran, que comanda a UPP do Turano, todos aceitaram bem os PMs na favela. Diariamente, 90 policiais fazem patrulhamento por toda a comunidade. O policial disse que não há mais traficantes no morro e, se existe algum, está desarmado.
- Nessa uma semana que estamos aqui, apreendemos três usuários de drogas, com pequena quantidade e que se entregaram sem resistência. Também apreendemos cabos de televisão a cabo ilegais.
Nelson Mendonça é mecânico em uma oficina na rua Haddock Lobo, próxima à comunidade, e disse que a segurança na área melhorou muito. Ele conta que agora não tem escutado mais tiros na região, o que era normal antes da chegada da polícia.
- O telhado da oficina tem furo de bala que vinha aí por cima e furava até carro. Agora não tem saído mais nada. Essa área aqui acalmou mesmo. Os colegas que moram aí falam que melhorou pra caramba.
Uma moradora da comunidade Sumaré, do complexo do Turano, que não quis se identificar, disse que agora as pessoas podem levar seus filhos pra escola sem medo de tiroteio. Ela contou também que os policiais tratam os moradores com educação.
- Na minha casa chegaram com todo o respeito. Pediram licença e conversaram numa boa, querendo saber quem morava lá.
A maioria dos moradores do Turano prefere a comunidade pacificada, mas temem que os traficantes voltem ao poder e, por isso, não revelam a identidade
Uma comerciante que trabalha perto da universidade Estácio de Sá disse que, quando começavam os tiros, os estudantes e professores saiam correndo do pátio e entravam nas lojas para se esconder. Foi lá que a estudante Luciana de Novaes foi atingida por uma bala perdida e ficou tetraplégica, em 2003. Segundo a polícia, o disparo partiu de um traficante do morro do Turano.
Os constantes tiroteios também interferiam na rotina das crianças. Uma professora de um colégio particular diz que elas sabem quando o barulho é de tiro.
- Essas crianças não podem brincar na rua, não podem ir a uma pracinha, não podem fazer nada. Elas vivem presas dentro de casa, nem na calçada podem ficar. O lugar de brincar virou a escola. Agora, eu espero que melhore.
Os trabalhadores da região têm a mesma esperança. Um funcionário de uma linha de ônibus que circula na região contou que era comum levar traficantes armados para outros lugares.
- Eles forçavam a gente a dar carona. A gente não podia negar e colocar nossa vida em risco. A própria empresa sabia desse problema, mas não tinha como nos proteger. O melhor era ceder e levar o mais rápido possível para nossa segurança e dos próprios passageiros.
Quase todos os entrevistados disseram que a principal diferença com a implantação da UPP foi em relação à segurança. Mas nem todos estão totalmente satisfeitas com a atuação da PM. A estudante de radiologia da Estácio de Sá, Bruna Marinho da Silva, disse que atuação da UPP é indiferente.
- Eu moro aqui perto e várias vezes saio 23h daqui e as ruas estão desertas. Não tem policial. Eles só protegem em cima do Turano, nas ruas próximas não tem movimento nenhum de polícia.
A PM, por sua vez, informou que também faz patrulhamento constante ao redor do Turano. 
FONTE: R7

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